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Berço porto-alegrense

01 de maro de 2013

A histórica Praça da Alfândega já foi o principal acesso à capital pelo Guaíba.

Fotos: Internet

A porta de entrada de Porto Alegre. Assim era a Praça da Alfândega nos seus primórdios. Ela surgiu com o núcleo inicial da cidade, no final do século 18. Na época, o local abrigava o antigo porto fluvial de Porto Alegre. Em 1782, foi construído um cais de pedra junto ao rio para facilitar o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias. Hoje em dia, a mesma praça segue como cartão de visita da capital. As árvores centenárias, os prédios históricos, os monumentos, o piso de pedra portuguesa e as pessoas identificam um cenário legitimamente porto-alegrense. 

O historiador Pedro Vargas informa que a região, onde está a praça, era um ponto de vendas, conhecido como Largo da Quitanda. “Tinha muitos comerciantes, marinheiros e vários escravos. Este foi o ponto central da cidade”, afirma. Com o Guaíba avançando até a Rua da Praia, o local era um grande cais com capacidade para 200 barcos. Existiam vários trapiches particulares ao longo da orla. Em 1820, é construído o prédio da alfândega no local, razão pela a praça foi batizada com esse nome.

No início do século 20, inicia a construção do cais. A chegada à capital pela Praça da Alfândega ganha uma larga avenida, com duas pistas, canteiro central destacado com palmeiras e margeada por imponentes prédios: a Avenida Sepúlveda. Todo esse eixo histórico da cidade foi restaurado através do Projeto Monumenta do Governo Federal, cujo objetivo foi deixar o local com as mesmas características que possuía no início do século XX. A coordenadora do projeto, Briane Bicca, lembra que a Praça da Alfândega era o passeio público de Porto Alegre. “Foi uma tradição dos anos 20, 30 e 40 que vem do urbanismo francês. Era na praça que nossos avôs e pais namoravam, iam aos cinemas, nas confeitarias e livrarias. Esse espírito foi o que queríamos trazer de volta com a restauração da praça”, informa.

Na correria do dia-a-dia, milhares de pessoas passam pela histórica praça tendo seu trabalho como destino. Outras pessoas ganham seu sustento ali. Seja em uma banquinha de artesão ou no ofício de engraxate. Algumas pessoas aproveitam para descansar nos bancos da praça ou para se divertir em disputadas partidas de dama. É o caso do construtor civil, Gladimir dos Santos Ferreira. Para ele, o jogo de dama com os amigos é um passatempo. “Eu venho à praça para me divertir”, comenta.

A Praça da Alfândega é cercada por prédios de valor histórico e cultural como o MARGS, que era o Prédio da Delegacia Fiscal, o Memorial do Rio Grande do Sul, antigo Edifício dos Correios e Telégrafos, e o Santander Cultural, que abrigava o Banco Nacional do Comércio. Por cada canto da praça, há monumentos e esculturas em homenagem à figuras históricas: como Barão de Rio Branco e General Osório. As estátuas dos poetas Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade servem para “abençoar” o palco da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, realizada todos os anos na praça, desde 1955, sempre na segunda quinzena de outubro.  

 


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