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Gramado é o bicho

18 de janeiro de 2013

Zoológico de Gramado exibe toda a beleza da fauna do Brasil.

Fotos: Internet

Grande parte da fauna brasileira está reunida no zoológico de Gramado. São mais de 1 mil animais característicos de todos os cantos do País. Todos os animais são oriundos de apreensões do tráfico, criadouros registrados pelo Ibama ou doações de outros zoológicos. Nenhum animal foi retirado da natureza. Em vez de grades e jaulas, vidros blindados e enormes viveiros reproduzem o habitat de cada espécie. 

Logo na entrada, ingressamos em um viveiro de aves. Entre cantorias e rasantes, o exótico mutum-de-penacho recepciona os visitantes, em um espaço compartilhado com toda a beleza dos tucanos e araras. A técnica veterinária do Zoológico, Christina Capalbo, acompanha nossa visita e nos apresenta cada espécie. Do papagaio moleiro, que é o maior da espécie no Brasil, com cerca de 40 centímetros, ao papagaio charão, ave símbolo de Gramado. A espécie apresenta as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, verde, amarelo e vermelho. O maracanã-iguaçu deu origem ao principal palco do futebol brasileiro. “Tinha muito na região do Rio de Janeiro. Por isso, o estádio do Maracanã recebeu este nome”, informa Christina.

Saindo do viveiro, conhecemos a ema, a maior ave brasileira, e os micos-de-cheiro, assim chamados “porque urinam nas patas e mãos, e depois passam em todo o corpo”. O cheiro característico serve para que cada um identifique a família à qual pertence. Em cada recinto, há informações sobre as características das espécies que abriga. É o caso dos jabutis, que levam a vida bem devagar, e da anta, que desfila toda sua esquisitice para o público.

É hora de encarar a principal fera do Zoológico: a onça-pintada. Christina Capalbo explica que não é possível colocar mais do que duas onças no mesmo espaço, pois elas são animais solitários na natureza. Durante a visita, a onça estava no cio e, por isso, era procurada pelo macho.  “Se estivessem na natureza, ele também a estaria seguindo”, explica. A onça-pintada chega a comer 3,5 quilos de carne por dia. Como tem hábito noturno, são bastante preguiçosas durante o dia. 

Perto das onças, estão abrigados os gatos maracajá e do matopequeno. Apesar do nome, são animais selvagens, assim como o filhote de puma, que nasceu no zoológico e é hoje uma das atrações que mais encantam os visitantes. Um pouco mais à frente, estão o macaco-aranha-de-cara vermelha, o bugio e o macaco- prego.  Destaque para a malandragem do macaco-prego. Eles são os únicos primatas que usam ferramentas. “Se você der uma castanha ou uma noz, eles sabem que, batendo nela com uma pedra, a casca vai quebrar e conseguirão comer o fruto”, conta a técnica veterinária.

Continuando o passeio, pode se conferir a elegância do loboguará, animal que corre risco de extinção. Ao lado, nove quatis fazem uma festa, o que não se repete todos os dias. “Hoje, eles estão brincando, mas, às vezes, um não pode olhar para outro”. Em seguida, conhecemos o cardeal amarelo, o animal mais ameaçado de extinção entre todos que vivem no zoológico. Por isso, o Zoo desenvolve um projeto de reprodução em cativeiro, com o objetivo de reintroduzir a espécie na natureza nos próximos anos. Atualmente, há 45 cardeais no zoológico. “Provavelmente, já não exista mais no Rio Grande do Sul, apenas aqui”, informa.

As placas de sinalização informam que o passeio está pela metade. Na próxima parada, encontramos com a onça-preta, um exemplar raro, já que apenas uma em cada dez “pintadas” tem a pelagem negra. Entrando em outro viveiro, a siriema recepciona o público com seu grito inconfundível. Dentro do lago, destaque para o exuberante guará-rubra. “O tom avermelhado das penas é resultado da alimentação”, explica Christina. Na água, é possível ver, ainda, os flamingos, a marreca cabocla, o pato selvagem e o tachã. Chama atenção o fato de muitas aves permanecerem até 40 minutos paradas em uma perna só. Segundo a técnica veterinária, é a estratégia que utilizam para descansar uma das patas. Em um espaço separado, o João-Grande observa os visitantes com um olhar tristonho. A ave foi baleada em uma das asas, resultado da crueldade do homem. “É um bicho muito difícil de se encontrar em cativeiro. A asa teve que ser amputada, o que impossibilita a sua devolução para a natureza”, informa.

O próximo animal a ser observado é outra fera. Trata-se do jacaré-do-papo-amarelo. Essa espécie atinge até 2,5 metros de comprimento. Nos dias de frio, eles ficam mais tempo dentro da água, onde a temperatura é mais elevada do que do lado de fora. O frio não é o problema para a próxima atração do zoológico. Os pinguins-de- magalhães encantam os visitantes. Mas se engana quem pensa que o animal só sobrevive no frio. Essa espécie adora água quente, e é por isso que eles migram para o norte, podendo chegar até Bahia. 

Na reta final do passeio, encontramos muitos outros tipos de aves. Entre eles, a marianinha-de-cabeça-amarela, pássaro que inspirou a criação do personagem Zé Carioca, e a gralha-azul. Esta espécie é conhecida por coletar os pinhões liberados pela araucária e enterrá-los em diversos locais, para se alimentar deles depois. Como as gralhas não lembram onde enterraram todos os pinhões, alguns acabam germinando. Assim, as gralhas-azuis são essenciais para a dispersão de sementes das araucárias. Outro ilustre pássaro que habita o viveiro do Zoo é o sabiá-laranjeira, a ave símbolo do Brasil, imortalizada no poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: “minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”.

A exótica Iguana Verde é a última atração do zoológico. Ao todo, são cerca de 2 quilômetros de percurso. Não é permitido alimentar os animais, pois todos eles recebem uma dieta rigidamente controlada. Todos os ambientes também são climatizados, para garantir conforto térmico aos animais. O zoológico oferece, ainda, um inusitado passeio à noite. Com lanternas em punho, os visitantes podem observar o comportamento noturno das espécies. 

 

Calçada da fauna

Na terra do Festival de Cinema, os animais também viraram personalidades e marcaram suas pegadas em uma calçada da fama, no Zoológico de Gramado. Destaque para a pegada da anta, a maior de todas. Outros animais que deixaram as suas marcas são o cervo do pantanal, onça-pintada, puma, ema, macaco-prego e lobo-guará.

 

Anta, com orgulho

Diferentemente do que as pessoas pensam, a anta é um animal extremamente inteligente, com muitos neurônios. É o maior mamífero terrestre da América do Sul. Chega a pesar 300 quilos e vive de 20 a 25 anos. A anta tem corpo de porco, cascos de boi, orelhas de cavalo e um focinho que lembra uma pequena tromba de elefante. Além disso, suas patas traseiras têm três dedos e as dianteiras, quatro. A injusta fama provavelmente está ligada a essa aparência esquisita.

 

Ema: a ave que não voa

As asas da ema são usadas para o equilíbrio e para mudança de direção na corrida. Por sinal, elas são ótimas corredoras, chegando a alcançar 60 km/h. É considerada a maior ave brasileira. O macho prepara o ninho, choca os ovos e cuida dos filhotes. Enquanto isso, a fêmea só tem o trabalho de colocar os ovos.

 

O ronco do bugio-preto

O famoso ronco do bugio é produzido pelo osso hióide, que funciona como amplificador. O som forte e grave pode ser ouvido a grandes distâncias. Esse grito serve para demarcar território. Os bugios passam a maior parte da vida na copa das árvores, raramente descendo ao solo. É pouco ativo e repousa por horas. O macho é preto enquanto a fêmea e os filhotes têm uma coloração que varia do bege ao castanho claro. Os filhotes, enquanto pequenos, andam agarrados nas costas da mãe.

 

A rara onça-preta

Em média, a cada dez onças-pintadas nascidas, uma tem pelagem negra. A razão para isso é um fenômeno conhecido como melanismo. Mesmo com o fundo preto, a onça rara exibe as pintas que caracterizam a espécie. Ela pode nascer no meio de uma ninhada de “pintadas”, assim como de um cruzamento de onças-pretas pode nascer uma onça- pintada. 

 

Trapezista da floresta 

O macaco-aranha-de-cara-vermelha é o mais rápido e acrobático dos mamíferos da floresta. Com velocidade quase imperceptível aos olhos, o macaco escapa de seus predadores. A cauda funciona com a força e a agilidade dos outros membros, podendo ser considerada uma quinta mão. 

 

A elegância do Lobo-Guará

É o maior canídeo da América do Sul, podendo pesar mais de 30 quilos. O animal parece uma raposa, com pernas longas e finas, e cor avermelhada. Tem hábito noturno. Na natureza, os lobos-guarás passam a madrugada embaixo de árvores, esperando a queda dos frutos. É um dos animais que sofrem sério risco de extinção na fauna brasileira. 

 

Velocidade e agilidade no solo

O puma é o segundo maior felino brasileiro, ficando atrás somente da onça-pintada. Tem hábito noturno e solitário. Alcança até 60 km/h e salta até seis metros de altura. Os machos adultos podem ultrapassar 50 quilos. No Gramado Zoo, destaque para uma puminha com sete meses de vida, que é uma das principais atrações.

 

Pinguim que foge do frio 

A espécie gosta de água mais quente. O pinguim- de-magalhães suporta uma temperatura de até 30 graus em terra e até 28 dentro da água. São monogâmicos. Em média, vivem 15 anos em cativeiro. Com 90 dias de vida, eles começam a entram no mar. Alimenta-se, principalmente, de peixes e seu peso médio é de quatro quilos. No período de troca de pena, ficam até um mês sem comer. Por isso, os pinguins têm que dobrar de peso antes desse período. A troca de pelos ocorre no final do verão. A espécie recebeu este nome em homenagem ao explorador Fernão de Magalhães, primeiro europeu a observar estes animais, em 1519.

 


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Comentários

Comentários

Mto bom esse zoo. Belo passeio.

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