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Nos trilhos da memória

26 de dezembro de 2012

Museu do Trem resgata parte da história ferroviária do Rio Grande do Sul.

Fotos: Internet

 

No dia 30 de abril de 1874, aconteceu a primeira viagem de trem no Rio Grande do Sul, partindo de São Leopoldo em direção a Porto Alegre. Foi um marco para o desenvolvimento econômico da região.

Passados 138 anos desta histórica viagem, a estação São Leopoldo, primeira a ser construída no Estado, parou de operar em 1982 e, desde 1985, abriga o Museu do Trem. O espaço reúne um catálogo de 13 mil itens, entre vagões, trilhos, documentos, mobília, mapas e fotografias da Viação Férrea do Rio Grande do Sul e da Rede Ferroviária Federal S.A. No interior da antiga estação, o visitante encontra peças utilizadas pelos trens, como os sinos que anunciavam os horários de chegada e de partida, além de réplicas em miniatura dos antigos modelos. Painéis com informações históricas da ferroviária também orientam os visitantes.

Mas é do lado de fora da estação que se encontram as principais relíquias do Museu. Sobre os trilhos da antiga linha estão locomotivas do passado, como a Maria Fumaça, de 1884, e a “mineira”, um modelo movido a diesel, de 1954. A diretora do Museu do Trem, Alice Bemvenuti, explica que a chegada do trem potencializou a economia do Município. “Tudo que era produzido pela colônia, passou a ser transportado de trem até Porto Alegre. Os produtores mandavam manteigas, sementes agrícolas e até carga viva”, comenta.

Principal meio de transporte de passageiros, o trem tinha vagões destinados a primeira e segunda classe, que podem ser visitados no Museu. Além de ter melhores acomodações, a primeira classe era sempre no último vagão, onde a fumaça expelida da locomotiva dificilmente chegava. “Na segunda classe, os passageiros podiam se sujar com a fumaça e até danificar suas roupas com as fagulhas que caiam”, diz Alice.  Além destes pequenos incidentes, a principal diferença entre as classes eram os assentos. Enquanto, na primeira, os bancos eram estofados, na segunda, eles eram de madeira.  

 

Museu do Trem completou 35 anos

 

Além do acervo histórico, o Museu realiza oficinas pedagógicas de conscientização de patrimônio, programas de Ação Educativa com foco na democratização do local e atividades direcionadas à família. A diretora, Alice Bemvenuti, diz que muita gente se surpreende com o Museu.  “Algumas pessoas ainda estão presas a sua rotina e não conseguem nem se dar conta de que ao lado da estação São Leopoldo tem o Museu do Trem”, revela. 

O local é bastante visitado por turmas de estudantes e utilizado como cenário para fotos de casamento, aniversário de 15 anos e books de moda. No último sábado de cada mês, o Museu recebe uma exposição de carros antigos. O acesso ao Museu é gratuito.  

 

Passado, presente e futuro do transporte ferroviário no Estado

 

Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS)

Em 1920, o governo federal estadualizou a administração das ferrovias. Neste ano, foi criada a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que ampliou de 2,3 mil para 3,6 mil quilômetros os ramais nas ferrovias do Estado. Em média, eram realizadas 70 viagens de passageiros diariamente. Em 1959, a VFRGS é extinta e  nasce a Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

 

Rede Ferroviária Federal (RFFSA)

 

Em 1957, foi criada a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), com o objetivo de promover e gerir os interesses da União no setor de transportes ferroviários. A nova empresa englobava a administração de vias férreas em 19 Estados brasileiros, operando uma malha de aproximadamente 22 mil quilômetros de linhas. Neste período, surgem os trens de luxo, com locomotivas a diesel. Houve também um aumento na capacidade, remodelação dos vagões e melhorias na linhas e nos traçados dos trilhos.

Em 1992, a RFFSA foi incluída no Programa Nacional de Desestatização. O estudo promovido pelo BNDES recomendava a transferência dos serviços de transporte ferroviário de carga para o setor privado. Entre 1996 e 1998, o sistema foi fragmentado em seis malhas regionais e leiloado. As concessões são válidas por 30 anos. Em 1999, a RFFSA foi dissolvida e extinta.

 

Trensurb

O trem é responsável pelo transporte de passageiros na região metropolitana de Porto Alegre desde 1985. Atualmente, são 17 estações. A linha original parte do centro de Porto Alegre e vai até São Leopoldo. Mais cinco estações estão sendo construídas. Recentemente, duas começaram a operar, ligando os dois lados do Rio dos Sinos, e levando o trem até Novo Hamburgo. A previsão é que todo o novo trajeto, passando pela Fenac e chegando ao centro da cidade, esteja pronto no final deste ano. Cerca de 180 mil pessoas utilizam o transporte todos os dias. Com a ampliação do trajeto, a estimativa é de mais 30 mil usuários. 

 

 

TRENS HISTÓRICOS DO ESTADO

 

Maria Fumaça

As locomotivas a vapor eram o modelo mais popular até o final da Segunda Guerra Mundial. O vagão-reboque de uma locomotiva a vapor transporta o combustível e a água necessários para a alimentação da máquina. No Brasil, essas locomotivas receberam o apelido de “Maria-Fumaça”, por causa da densa nuvem de vapor e fuligem expelida por sua chaminé. 

Minuano ou Pampeiro

Em 1954, a VFRGS colocou na linha o trem Minuano, que era movido a diesel. O veículo foi encomendado dois anos antes, na Alemanha. Cada composição oferecia 118 assentos confortabilíssimos. Os carros eram de aço e mais leves. No início, o Minuano rodava entre Porto Alegre e Cruz Alta, e também da capital a Bagé. Mais tarde, passou a operar entre Porto Alegre e Uruguaiana e Porto Alegre e São Borja.

Trem Húngaro

O Trem Húngaro, como ficou conhecido pelos gaúchos, era considerado um trem de luxo. Fazia a linha Porto Alegre a Uruguaiana em 12 horas, cobrindo um percurso de 690 quilômetros, diariamente. O veículo tinha sistema de climatização e poltronas reclináveis, além de serviço de bar e restaurante. Era composto de dois carros-motores e dois carros intermediários, e tinha capacidade para 116 passageiros.

 

“Era sempre uma aventura”

Joel Garcia Dias trabalhou durante 15 anos na Rede Ferroviária Federal como técnico de manutenção em locomotivas. Nesse período, ele conta que as viagens de trem apresentavam dificuldades inimagináveis para os dias de hoje. Por exemplo, o trecho que hoje é administrado pelo Trensurb, entre Porto Alegre e São Leopoldo, não apresentava qualquer proteção de muro e elevadas para garantir a segurança do fluxo de automóveis e pedestres. “O trem cruzava a BR-116. A linha não tinha nenhum tipo de obstáculo. As pessoas podiam cruzar à vontade. Não era raro acontecer um grande acidente. Quando havia um problema, todos os passageiros desciam do trem no meio da linha. Era sempre uma aventura”, relata Joel.

 

 


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