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19 de dezembro de 2012

Trinta anos depois, Marciano Schmidt relembra como foi a produção da obra que estampa a fachada do Centro de Cultura de Novo Hamburgo.

Fotos: Internet

Quem passa pela frente do Centro de Cultura de Novo Hamburgo se depara com uma grande obra de arte instalada na fachada do prédio. É a escultura de uma mulher, cercada de máscaras, representação clássica da tragédia e da comédia no teatro. O idealizador da obra foi o conceituado artista hamburguense Marciano Schmitz. Três décadas depois, ele relembra o passo a passo da criação desta obra. “Foi uma aventura muito bacana. O trabalho foi feito com muito ímpeto”, relembra.

Inaugurado em abril de 1982, o espaço completou 30 anos de história em 2012. O prédio abriga um dos principais palcos dos eventos culturais de Novo Hamburgo: o Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno. A fachada arredondada e lisa em nada fazia lembrar uma casa de cultura. Foi por isso que o então prefeito, Eugênio Nelson Ritzel, convidou o artista para criar uma obra à altura do novo teatro. Marciano Schmitz, que era diretor do Departamento de Cultura do Município, teve que deixar o cargo para se dedicar exclusivamente ao trabalho de criação. Inspirado na proa de um barco antigo, já que a fachada lembra a frente de uma embarcação, Marciano imaginou “uma cariátide de navio grego. Eles colocavam uma sereia ou uma deusa na frente dos barcos”. Dessa forma, o artista resolveu personificar a cultura em uma imagem de mulher. Para complementar sua obra, representou o teatro através de uma imposição de máscaras ao redor da escultura. “Coloquei um círculo de pessoas, que representa um grande palco”, afirma.

Todo o trabalho levou apenas dois meses para ficar pronto. A escultura tem cinco metros de altura e pesa 1,7 tonelada. O artista conta que, na época, o único material viável era o concreto. “Eu poderia ter usado fibra de vidro, por exemplo, só que o custo era muito grande”. Um caminhão de tijolos molhados foi utilizado para fazer o modelo. Ele lembra que essas peças foram transportadas até um aterro em Novo Hamburgo, onde foi feita a concretagem.  “Com a ajuda de uma retroescavadeira abrimos um buraco onde se montou as formas, como se fosse uma canoa dentro do buraco. Foram montadas as ferragens e as esperas, para então se colocar o concreto. Depois de 30 dias, a escultura foi retirada e levada para o teatro”. Marciano lembra que a obra tinha três partes que precisavam ser encaixadas. “Foi uma luta para levantar”, relembra o artista.

Para erguer os pedaços, foi necessário um guincho, que tinha dificuldade de operar por causa da rede de luz. Também foram montados dois trilhos de aço na parte interna, para suportar o peso da obra. “Foi uma pegada até instalar. Eu chegava a suar os pés”, brinca.

Um detalhe que Marciano faz questão de ressaltar é a simbologia das máscaras que compõem a obra. Em um olhar mais atento, é possível perceber que as imagens de cima ficam sorrindo, enquanto as mais de baixo estão com o semblante triste. Segundo o artista, elas representam as classes sociais. “A obra não é muito objetiva. Você pode fazer várias leituras”, afirma, abrindo as portas para outras interpretações. O trabalho com metal foi feito em latão pelo escultor Xisto. De acordo com Marciano, as figuras complementam a obra, dando um efeito de composição e reforçando a imagem da proa de um barco.

Além da obra do Centro de Cultura, o artista Marciano Schmidt foi responsável pela pintura das naves laterais e do arco frontal da Catedral São Luiz Gonzaga em Novo Hamburgo, ao lado de artistas consagrados, como Aldo Locatelli e Emílio Sessa.

 

Teatro Paschoal Carlos Magno

Antes da construção do Centro Municipal de Cultura de Novo Hamburgo, as apresentações dos grandes festivais de teatro eram feitas em quatro palcos: Sociedade Aliança de Novo Hamburgo, Grêmio Atiradores, Escola Pio XII e Escola Santa Catarina. A gerente do Teatro Paschoal Carlos Magno, Rita Oliveira, lembra que a cidade era considerada a Capital Brasileira do Teatro Estudantil, com 23 grupos atuantes. A necessidade de um novo palco para os espetáculos começou a ser reivindicada pela classe teatral. 

Um dos incentivadores foi Paschoal Carlos Magno, que havia participado como jurado do Festival Estadual de Teatro, em Novo Hamburgo, durante dois anos seguidos. “Seu nome acabou sendo perpetuado em forma de homenagem no nosso teatro”.

A programação de inauguração teve 13 dias de espetáculos de dança, teatro, música e artes. O destaque ficou por conta da peça “Os Saltimbancos”, dirigida por Dejair Krumenan.

 


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