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Parque preserva história da agroindústria

13 de novembro de 2012

Conjunto arquitetônico do Parque Histórico Municipal Jorge Kuhn, considerado o mais importante de toda a região de colonização alemã, revela como funcionavam os negócios entre os séculos XIX e XX.

Fotos: Internet

Num terreno de 10 hectares à beira da BR-116, está o maior tesouro de Picada Café, cidade com cinco mil habitantes, distante 80 quilômetros de Porto Alegre. Trata-se de um conjunto de prédios, construídos entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, que permitem entender o funcionamento de um dos mais tradicionais negócios do Rio Grande do Sul, a agroindústria.

A antiga propriedade, que pertenceu à família Kuhn, hoje é tombada pelo patrimônio histórico municipal e administrada pela Prefeitura. Ali estão o armazém, o açougue, o moinho, alguns galpões, as estrebarias, os chiqueiros e o matadouro. 

Ela se tornou um dos mais importantes remanescentes das primeiras agroindústrias da região de colonização alemã no Estado, cuja economia segue sendo fortemente marcada pela presença de atividades agropecuárias e de estabelecimentos familiares.

 

Foi o patriarca da família, Cristiano Kuhn, quem mandou erguer o conjunto, em 1880, apenas 36 anos depois que os primeiros imigrantes se instalaram na região. O prédio mais antigo, que abrigava a residência da família, é ainda mais antigo. Construída em estilo enxaimel, com armação de madeira e preenchimento com pedra grés, a casa foi transferida para o terreno por ordem do patriarca dos Kuhn. “Era a antiga igreja evangélica, que ficava lá para baixo”, revela o neto de Cristiano, Jorge Roque Kuhn, apontando em direção ao vale, onde se localiza o centro de Picada Café. 

Ele nasceu na casa, em 1943, e herdou o nome do pai, que, segundo conta, era “entusiasta da preservação”. Por essa razão, a municipalidade decidiu homenageá-lo, designando o parque histórico municipal como Jorge Kuhn.

Não é apenas o nome da família que está eternizado no local. Dentro do prédio, ainda está montado um quarto com móveis, que pertenceram à família, como o roupeiro, a penteadeira e a máquina de costura.

As paredes mantêm a pintura original, um desenho geométrico em tons de azul e salmão, com fundo branco. A decoração foi feita quando Jorge Roque tinha uns oito anos de idade, para suprir a falta de objetos de decoração.

“Antigamente não havia muita coisa para enfeitar a casa”, justifica.

Na parte central da casa, pode-se observar o que sobrou do armazém de secos e molhados, o primeiro negócio da família: os armários envidraçados, os balcões de madeira e objetos utilizados pelo comerciante. Além de servir aos vizinhos, o espaço atraía tropeiros que passavam pela região, pois dispunha de um alojamento no sótão, onde eles podiam pernoitar. 

O salão do armazém também era usado como sala de jogos (carteados) e bailes, sempre regados com algum trago, para aquecer o corpo no frio da região. Abrigou, ainda, grupos de bolão e a antiga sociedade de tiro. “Com o passar do tempo, começamos a ceder o espaço para que médicos e dentistas pudessem atender pessoas da comunidade”, relata Jorge Roque. 

Em 1890, Cristiano Kuhn ergueu o primeiro açougue da localidade, que chamou Progresso, onde industrializava a carne de boi e porco obtida no matadouro, que ainda existe nos fundos do prédio. Torresmo e banha também tinham clientela cativa entre os moradores e o couro das reses era vendido para curtumes, em Novo Hamburgo e Estância Velha. Em um anexo, funcionava a casa de defumação, onde as linguiças, morcilhas, bacon e charque ganhavam um sabor especial, depois de expostos, por alguns dias, à fumaça de lenha e serragem de angico, uma árvore característica da região, que floresce na primavera. 

 

Moinho é símbolo da cidade

Curiosamente, a edificação mais recente do Parque, erguida em 1928, foi a que se converteu em símbolo de Picada Café. É o moinho d’água, um sobrado amarelo, feito em pedra grés e reboco, que hoje sedia a administração da Associação Rota Romântica. 

No moinho, era triturado o milho, o centeio e o amendoim, para a produção de farinhas e      óleos - atividade que ficava a cargo da avó de Jorge, Madalena Link Kuhn. Com um diâmetro de cinco metros, a mesma roda que girava as pedras para moer os grãos, gerava energia elétrica para a família. 

Ao lado do prédio, o braço d´água, também foi projetado pelo avó, a partir de um arroio que corre a um quilômetro do engenho. Tudo junto compõe uma paisagem harmoniosa, que encanta os visitantes.

 

 


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