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O melhor que a colônia pode oferecer

12 de dezembro de 2012

Antiga denominação do Município inspirou a criação da Rota Colonial Baumschneis, em Dois Irmãos.

Fotos: Internet

Em Dois Irmãos, distante 58 quilômetros de Porto Alegre, a agricultura familiar ocupa um lugar destacado na produção dos alimentos consumidos na cidade. Para dar visibilidade a esta atividade, os produtores rurais da localidade de Travessão Rübenich criaram a Rota Colonial Baumschneis.

O objetivo do grupo era tornar a sua cultura e o seu cotidiano um atrativo turístico, mostrando o melhor que a colônia pode oferecer, tanto na gastronomia quanto na hospitalidade. O presidente da Rota Colonial Baumschneis, Everton Fritsch, que também é guia no roteiro, explica que o foco do projeto é preservar as peculiaridades de cada lugar. “Mostramos o dia-a- dia nas propriedades e recebemos os visitantes como se fossem da família. Tudo bem simples”.

Para que todos se desenvolvam juntos, a Rota funciona em caráter associativo, compartilhando equipamentos e informações. O maquinário que o Sítio Ecológico Falkoski utiliza na produção de vinhos e sucos, por exemplo, é cedido pela Associação da Rota Colonial. Assim, todos os produtores se ajudam.  O roteiro, que existe desde 1998, possui 13 pontos de visitação, como estabelecimentos comerciais, áreas naturais, prédios históricos e até um cemitério. O visitante também pode comprar produtos naturais diretamente nas propriedades. 

O percurso de sete quilômetros, passando pela zona urbana e rural de Dois Irmãos, é feito com o ônibus Kolonistenwagem, também conhecido como jardineira.  A principal característica do veículo são as janelas estendidas até o assoalho, que possibilitam uma vista panorâmica do caminho. O nome Baumschneis significa Picada dos Baum, nome pelo qual o Município de Dois Irmãos era conhecido, no início de sua colonização, em 1829. 

E depois, se você quiser visitar algum ponto do roteiro com mais tempo, opções é o que não faltam. Aproveitar um final de semana no Campo 7 Amigos, colher verduras frescas na Casa Velha Colha e Pague ou, ainda, reunir a família em um cenário de cinema, para degustar o sensacional café colonial da Casa Chá Convento Doce. Faça o roteiro, e surpreenda-se.  

 

Por dentro da Rota

O ponto de partida da Rota Colonial Baumchneis é o Museu Histórico Municipal.  A construção enxaimel também é conhecida como Casa Kieling, sobrenome da família que morou na casa durante quase um século, até 1985. Todo o mobiliário do quarto de costura, armazém e padaria, por exemplo, foi preservado. “É como se o visitante voltasse no tempo”, explica Everton Fritsch. 

O roteiro segue pela Avenida São Miguel, no centro de Dois Irmãos, onde se localiza o Palco Móvel, uma estrutura de 70 metros quadrados, operada por um elevador de carga. Na mesma avenida, estão localizadas as três principais igrejas de Dois Irmãos: a Evangélica, a Luterana e a Matriz São Miguel.

Saindo da zona central, chega-se à Ponte de Pedra, construída em 1855 sobre o arroio Feitoria, na estrada que ligava São Leopoldo à região da Serra. Toda em pedra grés, em estilo romano, leva à localidade de Travessão Rübenich, onde se concentram as propriedades rurais que integram o roteiro. 

 

Na Propriedade Cultural de Ignácio Stoffel o visitante faz o seu primeiro contato com os costumes da colônia, que seguem vivos na região. Há mais de 120 anos, os frutos da terra garantem o sustento de quatro gerações da família Stoffel. Plantações de aipim, cebola e batata, e criação de animais, como vacas, porcos, coelhos e galinhas, são atrações para os visitantes.

O quarto destino do roteiro é o Armazém Scholles. “É o nosso shopping. Aqui, o visitante encontra de tudo”, brinca o guia, sem estar de todo errado. A variedade de mercadorias vai desde balas até remédio para picada de cobra. 

Neste local, os vizinhos se encontram para conversar, jogar baralho e beber. Dentro, quadros nas paredes exibem as caricaturas dos principais frequentadores do armazém. Aos sábados, no local, funciona uma barbearia à moda antiga.

 

A próxima parada é o Campo 7 Amigos, com um pequeno parque aquático, pedalinho, açude para pescaria, campo de futebol, churrasqueiras e salão de festa. É um local de lazer para famílias. “Muitos moradores de Dois Irmãos e região conheceram nosso espaço através do roteiro e viraram clientes ao longo dos anos”, revela o proprietário Ido Guth.

O roteiro está apenas na metade. Na frente do Campo 7 Amigos, fica a Serraria e Carpintaria Becker. O estabelecimento funciona desde 1872. Hoje, apenas a carpintaria continua operando. O local produzia arados, canga para bois, cabos de enxada, carroças e carretas, que eram muito utilizados na lida dos colonos.

Mais adiante, na Cervejaria Hunsrück, há degustação de chope Pilsen ou Weissbier para os visitantes. A bebida é fabricada artesanalmente, sem ingredientes químicos, o que é uma tradição tipicamente alemã.

Seguindo o roteiro, chegamos ao Cemitério Evangélico, “um verdadeiro museu a céu aberto”, segundo Everton. “São 150 anos de história registrados nas lápides dos túmulos”, feitos em mármore e pedra grés. O visitante pode observar antigos símbolos cristãos e variados detalhes em estilo gótico, relacionados à vida e à morte. Depois do cemitério, o ônibus parte em direção ao Sítio Ecológico Falkoski. O grande destaque dessa propriedade é a fabricação de produtos orgânicos, principalmente vinho e suco de uva. Tudo pode ser adquirido pelo visitante.

 

A produção orgânica também é destaque na Casa Velha Colha e Pague, onde todos podem virar agricultores, escolhendo na horta o que quer levar para casa. Beterraba, berinjela, alface, repolho e pimentão são alguns dos hortifrutigranjeiros cultivados na propriedade. “Os idosos são os que mais gostam de vir até a roça, porque revivem o passado”, conta o proprietário Alcindo Berlitz. Outros produtos coloniais também podem ser encontrados, como o Spritzbier, um tipo de cerveja feita com gengibre.

Para quem sobe a serra em busca de boa comida, a próxima parada é irresistível. Na Casa Chá Convento Doce o cardápio é preparado antecipadamente, conforme o desejo dos visitantes, podendo ser servido no almoço ou jantar. O sítio está situado num vale, o que proporciona um cenário belíssimo no meio da natureza. Para os mais aventureiros, há também a possibilidade de realizar algumas trilhas dentro da propriedade. 

Na reta final, o destino é o Salão Jacob Feiten, palco de grandes festividades, como o Kerb da Bergamota, principal evento do Travessão Rübenich, e o Mundo dos Ovos, onde o visitante pode colher ovos diretamente no galinheiro. São em torno de 150 galinhas, produzindo, em média, 120 ovos por dia. Mas ninguém pode ir embora sem ver a sequência de quadros que pretende responder uma das maiores dúvidas da humanidade. Afinal, o que veio antes: o ovo ou a galinha? “A galinha veio antes”, garante a proprietária, dona Aneci Scheid. É ver para crer.


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