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Turismo e educação para preservar

04 de dezembro de 2012

Ninguém conhece o Rio dos Sinos como a tripulação do Martim Pescador, o barco-escola que, desde 2003, entretém e educa jovens e adultos. Com 22 metros de comprimento e seis de largura, o catamarã acolhe até 55 passageiros, saindo do seu atracadouro, em São Leopoldo, e navegando o trecho mais urbano do rio.

Fotos: Internet

Parado no seu tradicional atracadouro, na margem esquerda do Rio dos Sinos, num ponto bem próximo à ponte da BR-116, o Martim Pescador pode até parecer uma embarcação tradicional. Mas basta colocar o pé dentro do catamarã, para perceber que este não é um barco de passeio. Carteiras escolares ocupam a cabine e, ao redor delas, pendurados nas paredes, estão inúmeros instrumentos de observação, imagens de peixes, pássaros, crustáceos e mapas. Há ainda uma pequena biblioteca, cartazes e painéis com informações sobre meio ambiente e temas referentes à navegação, tudo bilíngue, escrito em português e inglês. 

Estamos num barco-escola, cujo principal objetivo é alertar jovens e crianças sobre a “preservação ambiental e a ordenação do desenvolvimento responsável da região da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos”, conforme explica o site do instituto homônimo, que mantém o Martim Pescador. Em geral, os agendamentos são feitos pelas escolas, mas a embarcação recebe também turistas interessados em conhecer um pouco da conturbada realidade deste curso d’água. O trajeto tradicional leva em média 1h30 e percorre um trecho mais urbano do Sinos.

Mas o roteiro depende da disposição do visitante em conhecer extensões maiores ou menores do rio. “Em viagens mais longas já fizemos bailes, jantares e servimos cafés coloniais dentro do barco”, diz o presidente do Instituto Martim Pescador, Pedro Ivo Marques Reis. 

O catamarã é um modelo de embarcação bastante segura e estável. Ele possui canoas de ambos os lados que garantem que não haverá oscilação no eixo, independente da distribuição do público que o ocupe. Contudo, há um limite imposto pelo próprio rio. A partir de um determinado ponto, o Sinos fica mais estreito e menos profundo, o que dificulta a navegação.  

O turista pode optar por integrar-se a uma turma que já esteja agendada previamente ou marcar a data de sua preferência para o passeio. Nos dois casos, basta ligar para o Instituto Martim Pescador e reservar um lugar antes de dirigir-se ao trapiche em São Leopoldo. 

 

Um olhar para o belo

O Sinos nasce na serra do Município de Caraá, onde suas águas se conservam límpidas e cristalinas. Até os anos 1950, mesmo o trecho urbano, era utilizado como balneário e sediava competições de saltos ornamentais. 

Contudo, a medida em que se avança pelas curvas do sinuoso rio, em direção à sua foz, no Delta do Jacuí, as condições da água vão mudando. “A cada 15 quilômetros, a poluição dobra, atingindo rapidamente um nível para o qual não há tratamento que permita beber dessa água”, lamenta o estudante de biologia e educador ambiental do Martim Pescador Hoeslen Maurer, o Graxaim. 

É que o Sinos sofre com o descaso desde que os primeiros imigrantes desembarcaram por estas terras, em 1824, e começaram a  aterrar banhados, extinguindo espécies e determinando um desequilíbrio no ecossistema. Os dejetos das indústrias locais e, principalmente, a desova de esgoto não tratado são os principais responsáveis pelo atual estado de poluição do trecho urbano do rio. 

Por esta razão, as obras de saneamento colocadas em prática por 24 dos 32 municípios às margens do Sinos ou de seus afluentes terão tanto impacto na despoluição das suas águas. A reconstituição da mata ciliar também será de grande valia para que o Sinos volte a ser um rio saudável.

Neste quesito, a viagem do Martim Pescador mostra que o verde em suas margens ainda é fascinante – mesmo que, em alguns trechos, haja um excesso de lixo preso à vegetação. É possível observar exemplares de figueiras, amoreiras ou salgueiros, por exemplo. Quanto à fauna, é fácil avistar o próprio Martim Pescador, que faz seus ninhos nas margens do rio, mamíferos como o ratão do banhado e a capivara além de peixes, como o barrigudinho, o lambari e a traíra. 

“Este passeio tem como mérito despertar nas pessoas a vontade de cuidar do rio, pois mostra que, apesar de tudo, ele continua sendo belo”, resume o presidente do Instituto Martim Pescador, Pedro Ivo Marques Reis. 

 


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