Buscar Serviços


Desafios sobre rodas no alto das montanhas

04 de dezembro de 2012

Com perícia e muito esforço físico, pilotos cruzam montanhas por trilhas acidentadas no meio da mata.

Fotos: Internet

Os sulcos que marcam o chão úmido dos morros da cidade de Gramado são o indício de que essas trilhas não são percorridas por pessoas de tênis. As marcas dos pneus das motos são o registro do esforço que, a despeito do motor, seus pilotos precisam fazer para andar dentro da floresta. 

“A gente mexe com tudo: perna, braços, coluna. Temos que ter muito equilíbrio para superar a irregularidade do terreno”, justifica o piloto mais experiente do Município, Irineu Barbacovi, o Nono, que, aos 57 anos, não passa um final de semana sem se embrenhar nas matas da região. 

A aventura de cruzar as montanhas, montado no selim destes veículos, não é tão fácil como pode parecer. Não adianta saber pilotar nas ruas, porque para subir ou descer o morro é preciso ter habilidade para superar os obstáculos com a menor força possível. 

“Os iniciantes, em geral, andam meia hora e desistem. Dizem que nunca mais vão voltar. E, no final de semana seguinte, lá estão eles outra vez”, conta Andreângelo Bertoluci, o Billy, um dos pioneiros do esporte na cidade.

“Além de tudo, carregamos a moto em alguns trechos onde não é possível passar. Cada uma pesa uns 110 quilos”, completa seu colega de aventuras, Nilton Lazaretti, o Gringo. 

A bem da verdade, aventurar-se nas montanhas de Gramado sobre duas rodas não é tarefa simples sequer para os veteranos. O solo da região reúne dois ingredientes que aumentam o nível de dificuldade das trilhas: pedras lisas e grande umidade. “Muitos pilotos que se sobressaem em outros circuitos do campeonato brasileiro vão tremendamente mal nas etapas realizadas aqui”, ilustra Billy.

Mas, para quem conhece o caminho, é pura diversão. “A gente esquece do mundo, vive só a sensação de liberdade”, confessa Nono.

O importante é ter o equipamento correto para andar em segurança: moto específica para a atividade, macacão, joelheiras, cotoveleiras, capacete e botas de cano duro, que impedem torções e fraturas no caso de quedas. 

O esporte começou a ser praticado em Gramado na década de 80 e, hoje, possui quase uma centena de adeptos regulares, distribuídos em dois clubes de motoqueiros. O mais antigo é o Gramado Cross Clube, que completou 30 anos em 2011, mas é mais voltado ao motocross. Há também o Gramado Trail Club, que reúne, fundamentalmente, adeptos das trilhas na mata.

Uma vez ao ano, ambas as associações organizam um passeio pelas montanhas, que reúne todos os filiados e mais um monte de convidados especiais. São mais de 300 rotas diferentes que podem ser feitas, todas já mapeadas informalmente pelos integrantes dos clubes de motoqueiros. “E todos os finais de semana algum grupo sai para descobrir novas possibilidades”, conclui Billy. 

 


Compartilhar

Classificar


Comentários

Comentar