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Paredões de arenito seduzem escaladores

04 de dezembro de 2012

Dona Gerta lembra do garotinho de olhos puxados que se embrenhava pela mata. Hoje, Naoki Arima é um escalador reconhecido e o paredão de arenito, na propriedade dos Behne, em Ivoti, uma das vias de escalada mais frequentadas do Rio Grande do Sul.

Fotos: Internet

Há 50 anos, Gerta Behne vive em uma casa enxaimel centenária, que hoje está na área da Colônia Japonesa de Ivoti. Ela foi para lá quando casou, mas a construção vinha sendo ocupada há gerações por seus familiares. “Quem construiu foi a minha bisavó, uns 140 anos atrás. É uma das primeiras casas enxaimel da região.”

A influência dos orientais está por todos os cantos da propriedade de 9,5 hectares. No jardim caprichado – típico dos alemães – reluzem algumas plantas pouco comuns, como o kinkan, um arbusto com o qual os nipônicos produzem geleia e cachaça. 

Foi sentada no banco de seu jardim, ouvindo o murmúrio das águas do rio Feitoria, que corre a poucos metros da sua varanda, que Gerta reparou as frequentes visitas de um garoto com olhos puxados à sua propriedade. Ele se dirigia sempre ao sopé de uma montanha, se embrenhava na mata e saía horas depois. 

No seu blog (www.naokiarima.com), o hoje reconhecido escalador Naoki Arima também recorda desta época: “Eu tinha uns 12 anos. Lembro que meu pai tinha uma corda azul de plástico, que ele usava para amarrar as caixas de uva no trator. Eu roubava (a corda) sem ele saber e ia para a pedreira do vizinho, que ficava indo para o Campo Behne. Amarrava a corda em algum ganho ou no pé de acácia e descia no braço mesmo. No máximo, com uma luva, que eu roubava da minha mãe, claro! E ficava lá a tarde inteira, brincando de descer pela corda.”

Tanto Arima como o local se profissionalizaram. Hoje, o Camping Behne “ é o point de escalada mais frequentado do Estado”.

As rochas de arenito se estendem por quilômetros na propriedade dos Behne e são divididas em três setores, somando mais de cinquenta vias de escalada – são caminhos demarcados previamente, com ganchos já prontos para sustentar as cordas dos aventureiros. 

É neste local que estão algumas das rotas mais desafiadoras do Rio Grande do Sul. Chegam ao grau nove de dificuldade. A maioria das subidas, porém, é de nível médio e várias são de nível baixo. “Por isso, é excelente para quem está iniciando”, afirma o montanhista Fernando Morisso, enquanto orienta a pequena Letícia, de oito anos, a posicionar os pés e as mãos para subir a parede de pedra. 

 


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