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O vale das caminhadas

04 de dezembro de 2012

Projeto Caminhos e Trilhas percorre estradas rurais e sendas abertas a facão no meio da mata. As caminhadas podem chegar a 18 quilômetros e juntar dezenas de participantes, que recebem água, frutas e até iogurte para completar o trajeto.

Fotos: Internet

Uma pessoa parada no centro de Picada Café, que se disponha a mapear com os olhos os 360º no entorno da cidade, vai enxergar uma paisagem onipresente. Montanhas e morros cercam o Município e se sucedem até o horizonte.

Avistadas de longe, essas formações rochosas parecem um sólido verde, repleto de árvores entre as quais parece impossível transitar. Mas a densa vegetação esconde centenas de trilhas abertas há mais de um século, que estão sendo redescobertas pelo projeto Caminhos e Trilhas, que acontece uma vez a cada estação. Na última edição, foram registrados mais de 200 participantes. 

“No início, era praticamente gente da cidade, mas agora a maioria já é de pessoas de fora, de áreas urbanas, que buscam um pouco de contato com a natureza”, revela Renato Zimmer, que, desde outubro, é chefe do setor de desporto da Prefeitura, responsável pela organização das caminhadas. 

Em cada evento, é selecionado um trajeto de, no mínimo, dez e, no máximo, 18 quilômetros. O percurso é composto por charmosas estradas rurais e estreitas sendas abertas a facão, mata adentro. “Em vinte edições, jamais repetimos um percurso, tantas são as opções”, orgulha-se Gerson Gebhardt, o Gegê, que é guia e um dos organizadores do projeto.

A Prefeitura se encarrega de sinalizar previamente todo o percurso, para evitar que alguém se perca na floresta. Antes da largada, profissionais de educação física orientam um alongamento para evitar lesões musculares e, ao longo da caminhada, são instalados dezenas de postos de distribuição de água, iogurte e frutas, para que os caminhantes possam repor as energias. Também há um ônibus disponível para o transporte dos participantes do centro da cidade até o local da caminhada. Caso o final do trajeto seja longe, ele também garante o retorno. 

Bombeiros e escoteiros acompanham o grupo durante todo o passeio, para prestar atendimentos no caso de algum acidente ou para dar uma carona aos que desistem no meio do percurso. É que o trajeto não é fácil, inclui extensos trechos inclinados tanto de subida como de descida. 

“É difícil abandonar a caminhada nas montanhas”, sintetiza o guia Gegê, que sempre procura equilibrar o esforço exigido dos participantes no momento em que determina qual será o trajeto percorrido.  

 

Idosos e crianças são comuns nas trilhas

Apesar da dificuldade alta, nenhuma trilha é proibitiva para pessoas de qualquer idade. A única condição é que sejam saudáveis. Em Picada Café, já houve o caso de uma senhora beirando os 80 anos que completou a caminhada. Em outra ocasião, uma mulher, que havia sido operada há poucos meses, superou o desafio com a ajuda de um voluntário para ampará-la nos trechos mais complicados. 

O próprio Renato Zimmer, é um exemplo de que não há limitações para realizar a caminhada: ele percorre com naturalidade todo o trecho, apesar de usar uma prótese mecânica na perna esquerda. 

Para as crianças, é um momento de descoberta. Dentro da floresta elas encontram formas curiosas de cipós, que se entrelaçam, formando tranças de madeira, galhos que servem de repouso para bugios e algumas espécies de aves. 

É possível avistar exemplares de rabo de palha, saracura e sangue de boi. Borboletas também são uma colorida atração durante os meses de calor. Tatus e lagartos não costumam se aproximar, mas seus passos podem ser ouvidos com frequência pelos caminhantes. 

Fora da mata, a atração é descobrir o funcionamento das pequenas propriedades rurais. A paisagem, então, fica dominada por taipas (muros de pedras encaixadas), açudes, estrebarias e potreiros. Vacas leiteiras, gansos, patos, galinhas e as roças produzem o alimento para a subsistência das famílias, que vivem isoladas da zona urbana. 

 


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