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Recordações da Copa

11 de julho de 2014

As lembranças da Copa do Mundo ficarão para sempre na minha memória. Então, decidi escrever este texto, endereçado para minha filha. Hoje, ela tem pouco mais que um aninho, mas daqui uns 20 anos vai entender as emoções que seu pai vivenciou no ano de 2014 em nosso país.

Fotos: Internet

Por Araldo Neto

Filha, o pai foi em todos os jogos da Copa em Porto Alegre. Foi lindo de ver pessoas de todos os cantos do planeta confraternizando em nossa cidade. Franceses e hondurenhos protagonizaram o primeiro jogo de Copa em Porto Alegre desde 1950, a primeira Copa realizada no país. A festa estava maravilhosa. Torcedores pintados e fantasiados levaram alegria para as ruas. Do jogo em si, o pai ficou frustado, porque não tocou o belíssimo hino francês devido a um problema no sistema de som do Estádio Beira-Rio. Para compensar, fui testemunha do primeiro gol eletrônico da história do futebol, onde a tecnologia auxiliou o árbitro acusando que a bola tinha entrado no gol. Os 3 a 0 para a França já eram esperados, mas o jogo em si foi apenas um detalhe frente à festa que o pai presenciou nas arquibancas e na rua.

Três dias depois, acompanhei uma das maiores festas que Porto Alegre já viu. Ia ter Holanda e Austrália. Dois povos muito alegres. Os holandeses pintaram de laranja o centro da cidade. Milhares se concentraram em frente ao Mercado Público, no Largo Glênio Peres. A festa tinha até trio elétrico. Depois a multidão seguiu pela Borges de Medeiros em direção ao Estádio.  Foi uma loucura. A avenida virou um mar laranja. Essa imagem estampou a capa de todos os jornais do Estado. Foi lindo presenciar esse momento, filha. Para minha surpresa, chegando ao Estádio percebi que tinha ainda mais australianos. Eram milhares que atravessaram o planeta para ver sua fraca seleção de futebol. Empurrados com o grito de “ole, ole, ole. Aussie, aussie”, o time da terra dos cangurus endureceu o jogo contra a favorita Holanda. O placar final foi 3 a 2 para o time laranja. O jogo foi muito empolgante, assim como a festa que os holandeses e australianos fizeram após o jogo nas ruas e nos bares da cidade. 

Era um momento histórico. O pai que adora futebol sempre quis vivenciar uma copa do mundo aqui no Brasil. E eu não perdi a oportunidade, filha. Até mesmo no jogo entre Argélia e Coréia do Sul eu fui. E sabe que foi bem legal! Os argelinos fizeram uma grande festa. Os coreanos eram mais fechados, mas também cantavam e vibravam bastante durante o jogo que acabou 4 a 2 para a Argélia. Os africanos voltaram a vencer em Copas depois de 30 anos. Imagina a emoção deles! 

Lembra quando os argentinos invadiram Porto Alegre durante a Copa em 2014? Aquele dia foi incrível. Cem mil hermanos na nossa cidade. Era na Fan Fest, nos bares, na rua. Por onde tu andavas, eles estavam lá. O jogo contra a Nigéria também foi demais, filha. Os argentinos ganharam por 3 a 2, com dois gols do Messi. Inesquecível. O Beira-Rio estava tomado. Os argentinos cantaram o jogo inteiro que o Maradona era melhor que o Pelé. Pode isso? Aliás, durante toda a Copa o pai ficou com essa música na cabeça, de tanto que os argentinos cantaram durante o mês da Copa.

Para fechar, o pai foi no último jogo em Porto Alegre, válido pelas oitavas de final. A Alemanha enfrentou a Argélia, que voltou a cidade depois do triunfo histórico. Era uma segunda-feira chuvosa, mas mesmo assim a tradicional festa de confraternização entre as torcidas aconteceu. Rolou até uma espécie de Oktoberfest fora de época em frente ao Mercado Público. Se o tempo estava feio, o jogo, pelo contrário, estava bem legal. A Argélia fez uma grande partida, levando o jogo para a prorrogação. Foi um dos destaques daquela Copa. Ao final, prevaleceu o favoritismo alemão, que ao final da Copa sagrou-se tetracampeã. Debaixo de chuva, Porto Alegre se despedia da Copa. Foi uma chuva de emoções, de gols e de alegria. Pena que o Brasil ficou pelo caminho e não conseguiu conquistar a Copa. Perdemos a taça, mas organizamos uma grande Copa do Mundo, a Copa das Copas, como se falava à época. Espero que a Copa volte logo a ser disputada no Brasil. É uma experiência sensacional. Para o pai, foi inesquecível.  

 

 

 


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